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Sistema Fecomércio transforma sustentabilidade em prática educativa
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A atuação do Sistema Fecomércio Ceará na agenda ambiental passa por educação,
preservação de áreas naturais, práticas de reaproveitamento, apoio à agricultura familiar,
conservação de espécies e valorização da biodiversidade regional. O Centro de Educação
Ambiental (CEA) no Sesc Iparana Reserva Natural, em Caucaia, reúne todos esses eixos
em um espaço voltado à formação de estudantes, visitantes, hóspedes e comunidades.
Instalado em uma área de 12,5 hectares de Mata Atlântica, é um dos últimos fragmentos de
floresta de tabuleiro no litoral cearense. O espaço foi estruturado para transformar a reserva
em um ambiente de aprendizagem, com trilhas, oficinas, exposições, sala de ciências,
meliponário, viveiro de mudas, horta, minhocário e compostagem.


A criação do Centro marcou uma nova etapa de um trabalho iniciado antes da inauguração.
Desde 2014, segundo Francisco Moreira, supervisor de Meio Ambiente do Sesc Ceará, o
Sesc Iparana Reserva Natural já desenvolvia ações de educação ambiental com escolas de
Fortaleza e região metropolitana. A nova estrutura dá mais organização e método a esse
atendimento. “O Sesc tem esse compromisso de cuidar, de não cortar, de não matar. É um
compromisso muito grande deixar uma área de floresta preservada como patrimônio natural
e bem comum”, afirma Francisco.


O funcionamento do CEA é baseado no Projeto Político-Pedagógico (PPP), que organiza as
ações pedagógicas realizadas no espaço. A metodologia parte do contato direto com o
ambiente. Os visitantes passam por atividades que articulam prática, entendimento,
observação e reflexão. O percurso inclui trilha ecológica, identificação de aves, exposição
de sementes, visita ao meliponário, atividades de compostagem, minhocário, biblioteca,
produção de mudas e experimentos na sala de ciências. A proposta é aproximar o conteúdo
ambiental de uma imersão dos participantes.


As áreas do Centro são chamadas de Aldeias. Cada uma trabalha um aspecto da educação
ambiental. A Aldeia Colmeia apresenta abelhas nativas sem ferrão e discute a importância
da polinização. A Aldeia Sementes reúne frutos e sementes da reserva, usados em ações
educativas sobre biodiversidade, memória e produção de mudas. A Aldeia Verde funciona
como viveiro de plantas nativas, florestais e medicinais. A Aldeia Minhocas e a Aldeia Ciclos
mostram o reaproveitamento de resíduos orgânicos por meio do minhocário e da
compostagem.


Esse ciclo de reaproveitamento é uma das práticas mais concretas do espaço. Cascas de
frutas, legumes e verduras utilizadas no preparo das refeições são recolhidas e destinadas
ao minhocário ou aos tanques de compostagem. O material é transformado em húmus e
composto orgânico, usados na horta, no viveiro e na produção de mudas. “O que antes iria
para o lixo volta como adubo para as plantas”, explica Francisco.
Para Álvaro de Castro, assistente pedagógico do CEA, a força do Centro está na
possibilidade de o estudante participar do processo de aprendizagem. Na Aldeia
Descoberta, a sala de ciências reúne experimentos, atividades interativas, bicicletas
geradoras de energia e oficinas que dialogam com os conteúdos escolares. “A gente
trabalha bastante sustentabilidade, meio ambiente e ciência relacionada ao que existe aqui
por perto. A ideia é que os estudantes possam experimentar, observar e participar”, afirma
Álvaro.


Educação ambiental na prática
A experiência já alcança escolas públicas de Caucaia. A Escola Santa Rita Catarina levou
turmas do Infantil IV ao 5º ano do Ensino Fundamental ao Centro de Educação Ambientalem uma atividade ligada ao projeto Agrinho, com o tema “Meio Ambiente – Tecendo
Conexões, Ciência, Inovação e Ética”.


Para Rocilda, diretora da escola, o contato com o CEA ampliou a forma como os estudantes
compreendem os temas ambientais. A primeira impressão, segundo ela, foi de surpresa
positiva pela existência de um espaço amplo, em área urbana, com características capazes
de aproximar os alunos da natureza regional. “Quando tiramos os alunos das salas e
levamos para o contato direto com a natureza, surge um momento de integração entre
teoria e prática. É possível demonstrar aos alunos que o conteúdo visto em sala tem relação
direta com o ambiente e o cotidiano das pessoas”, afirma.
Segundo a diretora, a trilha ecológica e os animais aquáticos estiveram entre os pontos que
mais chamaram a atenção dos estudantes. No retorno à escola, os alunos relacionaram as
explicações recebidas durante a visita com os conteúdos trabalhados no projeto Agrinho.
Para Rocilda, o acesso de escolas públicas a espaços como o CEA contribui para uma
formação mais ampla. “O Centro é um ambiente em que a preservação ambiental se torna,
ela mesma, uma ferramenta educativa”, resume.


Agenda ambiental
A atuação ambiental do Sistema Fecomércio Ceará, no entanto, não se restringe ao CEA. O
Centro funciona como uma síntese de uma agenda que envolve outras iniciativas do Sesc e
do Senac. Entre elas estão a compra de produtos da agricultura familiar para abastecimento
de unidades e restaurantes, a parceria com a Aquasis em projetos de conservação, o
Pensando Verde e projetos do Senac relacionados à biodiversidade, cultura alimentar e
segurança alimentar.


Na agricultura familiar, o Sistema compra produtos de cooperativas e os utiliza em suas
unidades e restaurantes. A ação fortalece produtores, reduz distâncias na cadeia de
abastecimento e conecta alimentação, geração de renda e práticas com menor impacto
ambiental.


A parceria com a Aquasis também integra essa agenda. Desde 2001, com apoio do Sesc
Ceará, foram desenvolvidos projetos de conservação do peixe-boi-marinho, de aves
migratórias e ações de monitoramento de praias. A Brigada da Natureza, vinculada a essa
atuação, atende crianças e adolescentes da comunidade de Iparana há mais de 20 anos.
No Senac, projetos como o Panã e pesquisas sobre ingredientes regionais conectam
biodiversidade, segurança alimentar e aproveitamento de insumos da caatinga, do litoral e
das serras cearenses.
Visto em conjunto, o Centro de Educação Ambiental no Sesc Iparana Reserva Natural
reforça a atuação do Sistema Fecomércio Ceará em uma área cada vez mais presente nas
decisões de instituições públicas e privadas. A sustentabilidade aparece como prática de
gestão, conteúdo pedagógico e estratégia de relacionamento com a sociedade. Para
Francisco, o próximo passo é ampliar o papel formativo do CEA. “A ideia é que o Centro de
Educação Ambiental não seja apenas um espaço de visitação, mas também um centro de
formação”, afirma.
Com o CEA, o Sistema Fecomércio Ceará consolida uma frente que une preservação
ambiental, educação e prática institucional. No Sesc Iparana Reserva Natural, a
sustentabilidade deixa de ser tratada apenas como tema de orientação e passa a ser
vivenciada em processos concretos, do reaproveitamento de resíduos à formação de

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