
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 pode provocar uma baixa importante no primeiro escalão do Governo Federal. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, de 68 anos, pediu para deixar o cargo após quase duas décadas de envolvimento em campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o publicitário pretende transformar a experiência adquirida na campanha presidencial em uma oportunidade para expandir seus negócios no exterior. A decisão chama atenção por ocorrer justamente após a reeleição de Lula, em uma disputa marcada por dificuldades na comunicação e forte pressão política.
Nos bastidores, a saída de Sidônio já vinha sendo comentada desde a vitória presidencial de 25 de outubro. O ministro teria manifestado a pessoas próximas o desejo de retornar à iniciativa privada e ampliar sua atuação no mercado internacional de campanhas políticas. Um dos principais destinos seria a América Latina, especialmente a Argentina. Para abrir caminho nesse novo projeto, seu sócio Rafael Marroquim, que também atuou na estratégia digital do governo e trabalhou com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), já estaria preparando oportunidades fora do Brasil. Sidônio havia acertado anteriormente com Lula que deixaria a Secom em junho, mas permaneceu no governo a pedido do presidente.
A trajetória do ministro durante a eleição também foi marcada por turbulências. No primeiro turno, Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro, com 45,16% dos votos contra 47,03%, resultado que ampliou a pressão sobre a estratégia eleitoral petista. Sidônio chegou a tirar férias em outubro para se dedicar à reta final da campanha. A mobilização digital ganhou força com iniciativas como o canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones, que passou de 2 milhões para mais de 10 milhões de seguidores, conforme a reportagem. Agora, depois de participar da virada eleitoral, Sidônio pretende deixar o Palácio do Planalto e explorar novos mercados. A possível saída abre espaço para mudanças na comunicação do governo no início do novo mandato presidencial.

