
O ex-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), por meio da Coligação Unir para Mudar, ingressou nesta quarta-feira (14) com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) pedindo a cassação da chapa do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) e a realização de uma nova eleição estadual. A medida aponta suposto abuso de poder midiático na reta final da campanha eleitoral de 2026. Em coletiva de imprensa, os advogados Hélio Parente e André Xerez apresentaram os argumentos jurídicos que fundamentam a contestação do resultado das urnas.

O principal questionamento envolve uma decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a veiculação de inserções adicionais da propaganda de Elmano às vésperas do primeiro turno, como compensação pelo descumprimento de uma determinação judicial anterior. Segundo a defesa de Ciro, foram exibidas 776 inserções nos dias 2 e 3 de outubro, sem espaço equivalente para a candidatura tucana. Os advogados sustentam que a medida teria comprometido o equilíbrio da disputa. A coligação também questiona os efeitos da suspensão temporária das candidaturas de Roberto Cláudio (União), a vice-governador, e Capitão Wagner (União), ao Senado, posteriormente restabelecidas por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A defesa de Ciro argumenta que os episódios podem justificar a cassação da chapa vencedora, a convocação de novas eleições e, dependendo do julgamento, a inelegibilidade de Elmano. Por outro lado, a campanha do governador afirmou lamentar que Ciro continue questionando o resultado das urnas e defendeu a legitimidade da vitória eleitoral. A ação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral, não havendo, até o momento, decisão de cassação. O processo seguirá para apreciação do TRE-CE, com possibilidade de recurso ao TSE.

