
Fortaleza recebeu, nesta terça-feira (14/04), no Hotel Grand Marquise, o Road Show Negócios em Expansão (NEEX), evento da EXAME voltado para empresas em crescimento. Ao longo da tarde, a programação reuniu debates sobre crédito, inovação e estratégias empresariais, conectando lideranças e investidores em um cenário de expansão econômica no estado. Entre os destaques, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, participou do painel “A força da economia cearense”, mediado por Léo Branco, editor de Negócios e Carreira da Exame.

Em sua participação, o presidente da FIEC destacou o crescimento consistente da base produtiva e a capacidade de diversificação industrial ao longo das últimas décadas. “Se a gente puxar nos últimos 35 anos, o estado do Ceará cresceu 38% em população. Nossa indústria não é uma indústria onde a gente tem um setor muito forte e os outros não. Nós temos uma indústria tradicional, têxtil, de alimentos, além de exportações como castanha de caju, cera de carnaúba e pescado”, detalhou.
Esse avanço também se reflete no comércio exterior. Ao comparar diferentes períodos, Ricardo Cavalcante evidenciou a ampliação da pauta exportadora. “Em 1990, a gente tinha 147 produtos sendo exportados. Hoje, são mais de 1.700. Ou seja, a gente aprendeu a exportar e a buscar nossos negócios”.
Ao abordar os fatores que sustentam esse crescimento, Cavalcante destacou o papel da infraestrutura logística e digital, especialmente a posição estratégica de Fortaleza no cenário global de conectividade. “Fortaleza hoje está entre as cidades mais conectadas do mundo. Nós temos 17 cabos de fibra óptica em um raio de 4 quilômetros. Toda a internet que entra e sai do Brasil e da América Latina passa por aqui, e temos a menor latência da região”, apontou.
Além da conectividade, ele mencionou avanços estruturais como o Porto do Pecém, aeroportos e a Ferrovia Transnordestina, que ampliam a integração do Ceará com mercados nacionais e internacionais.

Energia no centro da disputa global
Ao ampliar o olhar para o cenário internacional, o presidente da FIEC destacou que a energia se tornou o principal eixo estratégico das economias globais, especialmente diante de tensões geopolíticas e mudanças na matriz energética.
Antes de entrar nos dados, ele contextualizou o peso das grandes economias no consumo energético mundial. Segundo Cavalcante, “a Ásia consome 50% da eletricidade do planeta. A China sozinha consome 28%, enquanto os Estados Unidos ficam com cerca de 15,9%. Hoje, a base de produção mundial está concentrada na China, e isso pressiona mudanças estratégicas”.
Nesse cenário, a transição energética ganha centralidade, e o Ceará surge como protagonista. “A estratégia do mundo hoje é energia. E o Ceará está inserido nisso com iniciativas como o hidrogênio verde e a geração de outras energias renováveis”, destacou.
Hidrogênio verde e o potencial do Nordeste
O presidente da FIEC apontou o hidrogênio verde como um dos vetores mais promissores para a economia local, especialmente pela capacidade do estado de gerar energia limpa em larga escala.
No Ceará, esse movimento já começa a se materializar. De acordo com o presidente, “devemos ter, ainda este ano, o lançamento de dois projetos de hidrogênio verde, incluindo um da empresa Casa dos Ventos”, antecipou.
Data centers e a nova economia digital
Outro ponto central da fala foi a atração de data centers, impulsionada pela combinação entre conectividade e energia renovável. “Os data centers dependem de cabos de fibra óptica e de energia barata, de preferência verde. E hoje há poucos lugares no mundo que conseguem oferecer essas duas condições ao mesmo tempo”.
Nesse contexto, o Ceará já começa a colher resultados. Segundo ele, “já temos cerca de R$ 1,5 bilhão em compras realizadas no estado para a construção de um data center em Caucaia, com capacidade inicial de 300 MW, podendo chegar a 1,2 GW”.
O projeto, instalado na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), deve impulsionar uma cadeia de investimentos paralelos, incluindo geração de energia dedicada.
Geração de empregos e desafios de qualificação
O avanço dos investimentos também traz desafios, especialmente na formação de mão de obra. Ainda assim, o presidente ressaltou a relevância da indústria como motor de emprego no estado.
“O Ceará tem hoje 18.900 indústrias, com 391 mil trabalhadores. A indústria responde por 26% das carteiras assinadas e chega a 31% quando se exclui o setor público”, destacou.
Pequenas e médias empresas no centro das oportunidades
Durante o painel, Ricardo Cavalcante também enfatizou o papel das pequenas e médias empresas na nova onda de investimentos. “As pequenas e médias empresas vão participar diretamente desse processo, especialmente nas fases de construção e fornecimento”.
Esse movimento é apoiado por iniciativas como o Observatório da Indústria, que conecta fornecedores locais por meio de tecnologia de ponta e pesquisas de mercado.
Ceará como ambiente de negócios em expansão
O NEEX ocorre em um momento de crescimento expressivo do ambiente empresarial cearense. Em 2025, o estado registrou 142.163 novas empresas, com destaque para microempresas, que cresceram 46% em relação ao ano anterior. O setor de serviços lidera, concentrando 68,99% das aberturas, enquanto o ecossistema de startups soma 901 empresas ativas.
Fortaleza se destaca nesse cenário ao liderar indicadores de empreendedorismo, ocupando a primeira posição no ranking Connected Smart Cities 2024 nesse critério, além da quarta colocação em tecnologia e inovação entre capitais. A cidade também concentra o maior PIB do Nordeste, enquanto regiões como Cariri, Sobral e Vale do Jaguaribe ampliam o alcance da inovação no interior.
Programação diversificada
A programação do NEEX em Fortaleza refletiu a diversidade e a força do ambiente empresarial cearense, reunindo lideranças de diferentes setores em uma agenda voltada à troca de experiências e à geração de negócios. O evento contou com participações de executivos como André Salles, da Solar Coca-Cola; Aline Telles Chaves, do Grupo Telles; Luciane Sallas, Diretora Executiva de Investimentos e Planejamento Financeiro na M. Dias Branco; Jonas Marques, da Pague Menos; e Rodrigo Bachi, do BTG Pactual Empresas. Na área de inovação e serviços, nomes como Alfredo Júnior, do Hub Plural; Gabriel Carneiro Lima Alencar, da Central Geradores; e Pedro Albano, da Take a Break contribuíram para o debate. A programação incluiu ainda um talk de Daniel Coimbra sobre marca pessoal e presença digital, encerrando com um momento de networking entre empresários e investidores.
O Road Show integra o prêmio Negócios em Expansão, da EXAME, que reconhece empresas de alto crescimento e leva conteúdo estratégico a diferentes regiões do país.

