
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (25) a prorrogação do horário de votação do segundo turno da eleição presidencial até as 19h, no horário de Brasília, em todas as seções eleitorais do país. A decisão foi tomada após a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentar um pedido urgente à Justiça, denunciando dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar às urnas. Com a determinação, a totalização dos votos, que já havia sido iniciada, foi paralisada. O ministro justificou a medida pela gravidade dos fatos apresentados ao Supremo às 16h32min49s e determinou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotasse as providências necessárias para cumprir a decisão em todo o território nacional.
A petição da campanha de Lula aponta uma série de supostas irregularidades no transporte de eleitores em diferentes regiões do país. Em São Paulo, a coligação afirma que apenas cerca de 60% dos ônibus estariam circulando, apesar de uma determinação judicial para operação de 100% da frota, com dificuldades principalmente no Centro, na Zona Leste e na Avenida Paulista. Em Alagoas, foram relatadas filas superiores a uma hora, falta de vans e micro-ônibus intermunicipais e denúncias de cobrança indevida de passagens. Em Pernambuco, eleitores teriam enfrentado obstáculos para utilizar o transporte gratuito. Em Roraima, empresas contratadas teriam se recusado a cumprir rotas destinadas ao deslocamento de comunidades indígenas. Também foram registradas queixas de redução da frota em Teresina, no Piauí, e vídeos de ônibus que não paravam para passageiros em João Pessoa, na Paraíba. No Rio de Janeiro, a campanha citou longas esperas e redução de veículos em Petrópolis e São Gonçalo, enquanto, no Pará, foram apontadas dificuldades de deslocamento na região do Marajó.
Diante das denúncias, a Federação Brasil da Esperança, que integra a coligação de Lula, também solicitou que a Polícia Federal e outras autoridades policiais efetuassem prisões em flagrante de eventuais responsáveis por impedir ou dificultar o exercício do voto, nos casos em que fossem constatadas infrações. A coligação pediu ainda que os juízos eleitorais determinassem a distribuição de senhas, às 17h, a todos os eleitores presentes nos locais de votação, inclusive nas áreas externas e nos acessos aos prédios. Inicialmente, a campanha havia solicitado a ampliação do horário em municípios de pelo menos nove estados, além de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. Entretanto, a decisão de Zanin estendeu a medida para todo o Brasil, alterando o encerramento originalmente previsto para as 17h e suspendendo o andamento da totalização dos votos.

