Estratégia combina qualificação, acesso a mercado, gestão e políticas públicas para ampliar as oportunidades econômicas de pessoas em situação de vulnerabilidade – PUBLICADO 27/08/2026

Para quem vive em situação de vulnerabilidade, começar uma atividade por conta própria muitas vezes é a oportunidade de gerar renda imediata. O desafio seguinte é fazer essa atividade se tornar sustentável. É nesse ponto que entra a inclusão produtiva, que busca criar condições para que pessoas com menor acesso a oportunidades econômicas possam ampliar sua renda e desenvolver uma atividade produtiva.
A dimensão do desafio aparece nos números do mercado de trabalho. A informalidade ainda atinge cerca de quatro em cada dez trabalhadores ocupados no Brasil, segundo a PNAD Contínua, do IBGE. Nesse universo estão vendedores, prestadores de serviços, artesãos, produtores rurais e trabalhadores por conta própria que movimentam a economia, mas muitas vezes trabalham com baixa produtividade, pouco acesso a crédito e mercados restritos.
Para esse público, a formalização pode ser importante, mas não resolve o problema sozinha. Um negócio pode ter CNPJ e continuar sem clientes, sem margem de lucro ou sem capacidade de crescer. Por isso, a inclusão produtiva envolve uma combinação de qualificação, orientação empresarial, acesso a mercados, crédito, tecnologia e melhoria da produtividade.
O Sebrae atua nessa frente por meio de projetos de inclusão produtiva e da articulação com políticas públicas e instituições parceiras. A proposta é levar orientação para públicos que muitas vezes estão distantes dos canais tradicionais de apoio empresarial e trabalhar a atividade econômica a partir de sua realidade: o que produz, quanto consegue produzir, quem compra e quais obstáculos impedem o aumento da renda.
No Ceará, essa agenda também se conecta a iniciativas de qualificação e geração de renda, como o eixo + Qualificação e Renda, do programa Ceará Sem Fome, ampliando a possibilidade de combinar proteção social com oportunidades econômicas. A ideia é que ela consiga desenvolver condições para gerar renda de maneira mais regular.
O desafio é especialmente relevante diante da dificuldade de sobrevivência dos pequenos negócios. Dados do IBGE indicam que 62,7% das empresas não chegam ao quinto ano de atividade. Para quem começa com pouco capital e baixa rede de apoio, superar os primeiros anos exige ainda mais capacidade de gestão e acesso a mercado.

