
Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro estão ampliando o uso de dados meteorológicos e informações de saúde para proteger a população dos impactos do calor extremo, diante da intensificação do fenômeno El Niño. Com apoio da Parceria para Cidades Saudáveis, representantes das três capitais participam, entre os dias 4 e 6 de novembro, de um encontro no Rio de Janeiro para compartilhar experiências sobre sistemas de alerta, monitoramento de temperaturas e estratégias de prevenção. Segundo estimativa do Climate Impact Lab apresentada pela iniciativa, o calor adicional associado ao El Niño poderá provocar 13,3 mil mortes adicionais relacionadas às altas temperaturas no Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Em Fortaleza, a estratégia inclui o Observatório de Riscos Climáticos, lançado em 2025 durante a COP30, que reúne informações de estações meteorológicas distribuídas pela cidade. A capital cearense também conta com um comitê de enfrentamento aos impactos do El Niño e um plano de contingência para situações como ondas de calor, chuvas intensas, secas e erosão costeira. Outro instrumento em desenvolvimento é o Protocolo de Calor e Saúde, organizado em cinco níveis de risco. “Para enfrentar os impactos do Super El Niño, Fortaleza aposta no monitoramento de dados em tempo real, em sistemas de alerta precoce e no Protocolo de Calor e Saúde”, explicou o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (IPPLAN), professor Artur Bruno. Segundo ele, a estrutura busca ampliar o acesso às informações de prevenção, especialmente para idosos, crianças e pessoas com doenças preexistentes.
Em São Paulo, o projeto SampaAdapta utiliza 25 sensores instalados em cinco regiões para medir temperatura e umidade em ambientes internos e externos, contribuindo para a criação de uma rede de abrigos climáticos. No Rio de Janeiro, o Centro de Inteligência Epidemiológica integra previsões meteorológicas e dados de saúde para orientar respostas a episódios de calor extremo. As experiências são compartilhadas por meio da Parceria para Cidades Saudáveis, iniciativa apoiada pela Bloomberg Philanthropies, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Vital Strategies. O objetivo é fortalecer políticas públicas de adaptação climática e reduzir os riscos das altas temperaturas para a saúde da população.

