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Encontro Sesc Povos do Mar 10 anos: uma grande rede de pessoas e histórias
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No ano em que completa dez anos de realização, o Encontro Sesc Povos do Mar encontra novas formas de dar visibilidade às quase 200 comunidades litorâneas, de 25 municípios do Ceará, que integram uma grande rede comunitária criada e fomentada pelo Sesc.

 

Para marcar a data, foi produzida uma websérie documental que registra os modos de vida e cultura existentes nas praias, desde Icapuí até Chaval. A exposição de artes plásticas Aquavelas homenageia pescadores, jangadeiros, rendeiras e simboliza as paisagens naturais cearenses. A websérie Dicumê compartilha saberes, memórias e práticas alimentares de comunidades do litoral que participam do projeto Sesc Povos do Mar.

 

A programação do 10º Encontro Povos do Mar acontecerá, em formato virtual, de 6 a 11 de dezembro. As atividades serão adaptadas para que o público possa acompanhar as transmissões pelas redes sociais e canal do Sesc Ceará no Youtube.

 

Dentre as atividades, estarão o Festival Calungas, Cassimiros e Mamulengos, com participação de mestres da cultura: Gilberto e Marquinhos Calungueiro de Icapuí; Mestre Chico Bento de Trairi, Mestre Cheirinho e as Calungas do Cumbe (Aracati), Mestre Vanderlei das Laranjeiras, entre outros convidados que homenageiam o mestre bonequeiro José Mauro Ferreira da Silva (in memorian). Nos Diálogos em Rede, a cultura negra será destaque nas lives sobre maracatu como memória, entre outros temas.

 

A décima edição começa com a tradicional regata de jangadas que abre o Encontro. Neste ano, dez embarcações serão transformadas em obras de arte flutuantes, com velas pintadas por artistas plásticos que expressaram, nas cores e nos traços, a relação dos cearenses com o seu território. Das 8h30 às 11h, as velas estarão expostas na Enseada do Mucuripe (próximo ao Mercado dos Peixes) para apreciação do público, em seguida as jangadas passeiam pela orla de Fortaleza, podendo ser vistas a cerca de 200 metros da margem, navegando em direção ao Rio Ceará, onde encerram o trajeto por volta das 13h.

 

Os artistas Júlio Silveira e Vando Farias participam do Povos do mar desde os primeiros anos e formaram, junto a Zé Tarcísio, Edmar Gonçalves, Mano Alencar, Almeida Luz, Bia Soares, Efigênia Coelho, Totonho Laprovitera e Andréa Dall’Olio, o coletivo da Exposição Aquavelas. O processo criativo, depoimentos, a história de cada artista e a imagens das telas foram registrados em vídeos e fotos que serão hospedados no site Sesc Povos do Mar

 

História

 

Há dez anos, a Rede Sesc Povos do Mar foi fundada com a participação de três grupos específicos: os moradores do entorno do Sesc Iparana Hotel Ecológico, pessoas conhecedoras da fitoterapia popular, que ensinaram a produção de lambedores, do óleo de coco, infusões com raízes, colorau, entre outros produtos naturais. Também faziam parte os grupos da dança do Coco no Pecém e Iguape, pioneiros de uma rede específica no Povos do Mar da qual participam hoje 15 coletivos. Além destes, os barqueiros estavam presentes marcando a relevância histórica da região da Barra do Ceará.

 

Atualmente, cerca de quatrocentos representantes das comunidades tradicionais de 25 municípios integram a rede, composta por cinco eixos: Meio Ambiente e Sustentabilidade; Cantos, Danças e Brincadeiras; Dragões do Mar, Feito à Mão e Saberes, Sabores e Saúde. São rendeiras, jangadeiros, barqueiros, marisqueiras, canoeiros, pescadores, mestres da cultura, brincantes de maracatus, reisados, mestres do Teatro de Bonecos que compartilham seus saberes e experiências .

 

“Foram dez anos muito mágicos para essas comunidades, porque hoje elas são muito protagonistas do que fazem e nos ensinaram isso: que podem fazer coisas incríveis”, analisa Paulo Leitão, Consultor do Sesc e um dos idealizadores do projeto.

 

“Acreditamos e, por isto, temos atuado no trabalho em rede, contribuindo para o fortalecimento de vínculos comunitários. Este ano, buscamos traduzir como essa grande rede que integra o projeto Sesc Povos do Mar, se articula e se comunica. A websérie Povos do Mar, Encontros em Rede buscará traduzir o lugar de fala, da vivência, da experiência no território das pessoas que integram o projeto. Elas contam suas histórias, compartilham suas memórias e experiências” explica Talitta Albuquerque, Consultora do Programa Assistência do Sesc.

 

Websérie documental

 

Diante das restrições impostas pela pandemia, foi necessário encontrar novas formas de socializar as tradições e manter ativa a rede. Para isso, foi gravada a websérie Povos do Mar, Encontros em Rede, dirigida pelo realizador audiovisual Henrique Dídimo, e que será lançada dentro da programação virtual de 2020.

 

Em seis episódios em formato de documentário, será mostrada a grande rede que forma o Povos do Mar, com registros feitos em cada um dos territórios onde o Sesc mapeia as expressões socioculturais, paisagens e laços familiares.

 

“A imagética que desenvolvemos compõe um conjunto de registros e narrativas que visam fortalecer as territorialidade coexistentes, associando imagens turísticas às formas de ser e existir de comunidades tradicionais, na perspectiva do empoderamento e da ressignificação da memória e das práticas ancestrais”, analisa o consultor Paulo Leitão.

 

“Os participantes do Povos do Mar formam uma grande rede que nunca tinha sido mostrada em seus territórios de origem. A ideia é dar voz diretamente a essas pessoas, mostrando suas práticas e saberes, sem o intermédio de narradores externos. Para isso, proporcionamos encontros entre eles e assim estimulamos as boas conversas que compõem a estrutura narrativa da websérie”, afirma Henrique Dídimo.

 

Uma frente importante do Povos do Mar é o fortalecimento do turismo de base comunitária, em que o visitante pode vivenciar a cultura local. Os registros captados pelo documentário formam um mosaico dos hábitos, tradições e sistemas culturais existentes em seis territórios, que vão de Icapuí a Chaval.

 

Com início no Litoral Leste, a websérie registra grupos, personagens e relatos, como as calungas do Mestre Gilberto e as três gerações de bonequeiros de sua família, em Icapuí. De Aracati, é mostrado o artesanato em palha e madeira, assim como os brincantes dos Cocos de Canoa Quebrada e da Majorlândia. Surgem as marisqueiras, assim como o Boi de Fortim, brincadeira que integra a rede desde o início.

 

Nas Praias de Beberibe, são filmados os quintais produtivos e sustentáveis. Em Cascavel, os louceiros e louceiras do barro. Na Praia do Batoque, é contada a história da primeira reserva extrativista do Estado. Em Aquiraz, aparecem as manufaturas, como a renda e a jangadas em miniatura. Na Região Metropolitana de Fortaleza, foram visitadas as aldeias Pitaguary, Tapeba e Anacé, compartilhando seus rituais, práticas alimentares e espiritualidade. Da Capital, são vistos os bois da Vila do Mar e reisado da Varjota.

 

Em Caucaia, a websérie mostra a vida nos quilombos da Serra do Juá e Capuan, dentre outros, onde as rezadeiras e benzedeiras mantêm seus saberes ancestrais. No Pecém, está um dos mais antigos grupos da dança do Coco.

 

São mostrados ainda os movimentos ambientalistas na região do Paracuru, como o “Pescando Informações” e uma das mestras diplomadas da cultura, Dona Mariinha da Ló, reconhecida pelo grupo de Pastoril. No Trairi, as casas de tapioca com fornos de pedra. A região também é um importante território das rendeiras de bilro. O último território é a Barra da Timonha, na divisa entre Ceará e Piauí, onde é mostrada a pesca tradicional, uma herança do Povo Tremembé.

 

Serviço
X Encontro Sesc Povos do Mar

 

Período: 6 a 11 de dezembro
Programação transmitida no canal do Youtube e redes sociais do Sesc Ceará
Mais informações:https://www.sesc-ce.com.br/povos-do-mar-heranca-nativa/

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