Levantamento do Sebrae mostra que o país ultrapassou a marca de 106 mil microempreendedores individuais estrangeiros – PUBLICADO 08 08 2026

MEIs estrangeiros cresceram em todo o Brasil – Foto: Adobe Stock
O empreendedorismo tem se mostrado um dos principais caminhos para a inclusão produtiva de estrangeiros que vivem no Brasil. Levantamento do Sebrae revela que o país atingiu, em junho deste ano, um recorde de mais de 106 mil microempreendedores individuais (MEIs) estrangeiros com CNPJ ativo, um crescimento de 24% em relação a julho de 2025, quando eram 85,4 mil registros.
O avanço demonstra que cada vez mais imigrantes e refugiados têm encontrado no empreendedorismo uma alternativa para gerar renda e construir novas oportunidades fora do país de origem. Atualmente, os MEIs estrangeiros representam 0,78% dos mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais brasileiros.
Além da formalização, esse público encontra no Sebrae um importante aliado para transformar pequenos negócios em empreendimentos mais estruturados e competitivos. A instituição oferece orientações sobre gestão, planejamento financeiro, marketing, vendas, inovação e acesso a mercados, contribuindo para aumentar as chances de sucesso dos empreendedores.
Venezuela lidera número de empreendedores
Os venezuelanos representam o maior grupo de estrangeiros formalizados como MEI no Brasil. São 26.345 empreendedores, o equivalente a 25% do total. Em seguida aparecem Bolívia (15.361), Colômbia (10.547), Argentina (8.607) e Cuba (4.954).
Grande parte desses empreendedores atua no comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios e na confecção de peças de vestuário, atividades que exigem baixo investimento inicial e permitem rápida inserção no mercado.
As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos registros, com aproximadamente 50,5 mil e 35 mil MEIs estrangeiros, respectivamente. São Paulo lidera em números absolutos, com cerca de 39 mil empreendedores formalizados, seguido por Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
Quando o critério é a participação dos estrangeiros no universo de MEIs de cada estado, Roraima ocupa a primeira posição. Lá, eles representam 11% dos microempreendedores individuais do estado, reflexo da intensa migração na região de fronteira.
Formalização amplia oportunidades
Estrangeiros residentes no Brasil podem se formalizar como MEI por meio da plataforma Gov.br, desde que possuam a documentação migratória exigida pela legislação brasileira.
Ao obter o CNPJ, o empreendedor passa a emitir notas fiscais, tem acesso facilitado a crédito, pode contribuir para a Previdência Social e amplia as possibilidades de participação em novos mercados e cadeias produtivas.
Em 2019, o Brasil contabilizava cerca de 42,9 mil MEIs estrangeiros. O número passou para 74,2 mil em 2023, 76,8 mil em 2024, 85,4 mil em 2025 e chegou à marca histórica de 106 mil em 2026.Para o Sebrae, a formalização representa apenas o primeiro passo. A partir dela, o empreendedor pode acessar consultorias, cursos, capacitações e soluções voltadas ao fortalecimento da gestão, aumentando a competitividade e a sustentabilidade do negócio.

