
O Sistema Fecomércio Ceará, por meio do Sesc, inaugurou nesta quinta-feira,
12, seu 28º Museu Orgânico: o Museu Gastronômico Loura da Galinha.
Localizado em Quixeramobim, no território do Parque dos Monólitos, no Sertão
Central, o espaço se tornou referência gastronômica e cultural, reunindo
memória, tradição e convivência em torno da mesa. A homenagem valoriza o
ciclo da gastronomia popular do Sertão, reconhecendo a importância da
culinária regional do Ceará como patrimônio cultural.
Para o presidente do Sistema Fecomércio Ceará, Luiz Gastão Bittencourt,
iniciativas como essa reforçam a importância de reconhecer e preservar os
saberes que nascem no cotidiano das comunidades. Ele ressaltou que cultura
também se faz no dia a dia das pessoas, dos seus hábitos, suas histórias e
suas memórias.

“Agora, com o reconhecimento como Museu Orgânico, esse espaço passa a
integrar um acervo cultural que ultrapassa o Ceará e passa a ser conhecido
também em todo o Brasil. Mas é importante dizer que ele não se torna especial
por receber esse título hoje, ele já era especial porque sempre foi reconhecido
pela comunidade e por todos que passam por aqui. Que este novo Museu
Orgânico continue vivo, recebendo cada vez mais pessoas para contar
histórias, preservar tradições e, acima de tudo, compartilhar os sabores da
nossa cultura aqui na Loura da Galinha”, destacou.
Maria José de Sousa Jerônimo nasceu e cresceu no sertão cearense, na
localidade de Carqueja, distrito de Quixeramobim, onde aprendeu desde cedo
o valor do trabalho, da partilha e da tradição. Aos 11 anos, iniciou sua trajetória
na cozinha, aprendendo com a mãe e as irmãs mais velhas. O que começou
como aprendizado familiar tornou-se ofício e identidade.
Ela começou vendendo bolos na comunidade onde nasceu e em regiões
vizinhas, fortalecendo sua relação com a culinária e com o público que
reconhecia em sua comida um sabor de pertencimento. Em 5 de dezembro de
2010, fundou o Restaurante Loura da Galinha, que se consolidou como ponto
de encontro para moradores e visitantes, preservando tradições e promovendo
o convívio em torno da mesa.
Ofício e identidade

Durante a cerimônia, Maria José de Sousa Jerônimo, a Loura da Galinha,
agradeceu o reconhecimento e relembrou sua trajetória marcada pelo trabalho
e pela dedicação à culinária regional.
“Eu só tenho que agradecer. Onde estou hoje é porque venho de uma origem
simples. Sou muito grata por estar aqui e por ter esse espaço. Tudo isso é fruto
de muito trabalho e de algo que eu realmente gosto de fazer. Fico muito feliz
por esse reconhecimento do Sesc e agradeço de coração a todos vocês pela
presença e pelo carinho”, disse.
A chancela de Museu Orgânico representa o reconhecimento não apenas da
história de um restaurante, mas também da trajetória de uma mulher
profundamente ligada ao território onde nasceu. Ao transformar espaços de
vida e de trabalho em lugares de memória e visitação, o projeto dos Museus
Orgânicos valoriza mestres da cultura popular e fortalece o turismo cultural nos
territórios onde essas tradições permanecem vivas.

