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Câmara outorga a Medalha do Mérito Humanitário Zumbi dos Palmares à Ivaldo Paixão
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 A Câmara Municipal de Fortaleza realizou sessão solene, na última  quinta-feira (19), para a outorga da Medalha do Mérito Humanitário Zumbi dos Palmares ao Sr. comandante Ivaldo Ananias Machado da Paixão, pelos relevantes serviços prestados para a promoção da igualdade racial na Cidade de Fortaleza. A homenagem foi proposta pelo vereador Iraguassú Filho (PDT), através do requerimento 3561/2020, aprovado por unanimidade pela Casa Legislativa. A Medalha Zumbi dos Palmares foi instituída em pela Câmara Municipal de Fortaleza para premiar personalidades físicas ou jurídicas que, em Fortaleza, tenham se destacado por suas ações e serviços relevantes no combate ao racismo e promoção da igualdade racial.

A sessão foi presidida pelo vereador Iraguassú Filho, no ato representando o presidente da Câmara, Antônio Henrique (PDT). A mesa solene foi composta pelas seguintes personalidades: deputado federal André Figueiredo; presidente de honra do movimento das mulheres do Legislativo Cearense, Natália Herculano; presidente da comissão de promoção da igualdade social OAB-CE, Raquel Andrade; presidente de honra do PDT, Flávio Torres e pelo ex-vereador de Fortaleza, Iraguassu Teixeira.

Em sua saudação ao homenageado e aos presentes, o vereador Iraguassú Filho, falou do carinho, bem-querer e gratidão de poder homenagear com uma medalha criada pelo seu mandato, em 2018, uma pessoa como Ivaldo Paixão. “Essa Medalha muito representa para mim, para essa Casa e para o povo brasileiro, pois premia os que lutam contra o preconceito racial e racismo que precisa ser combatido diariamente”.

“É com muita felicidade que realizamos essa homenagem, que é a última que estou presidindo nesse mandato. E não poderia ser uma sessão qualquer, mas para honrar uma personalidade que luta pela preservação dos direitos humanos em nosso país. Aqui faço algumas reflexões: 71% das pessoas assassinadas no Brasil são negras. Aqui mesmo em Fortaleza tivemos a chamada chacina no Curió, onde todos os jovens eram negros. Outro dado é que 76% das pessoas mortas por ação policial no País são negras; 60% da população prisional brasileira é negra. Já na representação legislativa vemos que apenas 24% dos deputados federais eleitos no Brasil no último pleito são negros. No STF teve apenas um membro negro. Apesar de tudo isso, 55% da população brasileira é negra ou parda. Se não fizermos uma reflexão e entendermos que vivemos em um país que ainda é preconceituoso não avançaremos”, avaliou.

Iraguassu citou alguns casos de preconceito que ganharam a mídia nacional, como a de um motoboy que sofreu ofensas racistas e foi humilhado por um morador de um condomínio em São Paulo. Destacou que além de criar essa medalha, apresentou outras iniciativas. “Hoje recebi com muita alegria a notícia que o prefeito Roberto Cláudio vai enviar para esta casa o Estatuto da Igualdade Racial, que é fruto de um projeto de indicação de nosso mandato. Fico feliz pelo reconhecimento de um trabalho que foi de muitos. Essa lei será um divisor de águas nas politicas públicas para a igualdade racial”, pontuou.

Ele destacou a ação do homenageado na cultura afro-brasileira, na espiritualidade e na sociedade fortalezense. “Farei agora 20 anos como filiado PDT e esse partido tem história na luta pela igualdade, pois foi uma bandeira do nosso saudoso Leonel Brizola. Parabéns Paixão pela sua história e por essa homenagem,” concluiu. Em seguida aconteceu a apresentação da cantora Adriana de Maria, cantando a capela da música ‘Vidas Negras Importam’, de autoria de Ivaldo Paixão. Em seguida, falou o deputado federal André Figueiredo que afirmou ser o homenageado um batalhador pela causa da igualdade social. “Parabenizo por sua luta e coragem. Paixão você será sempre essa referência de luta para vermos o Brasil um dia mais igualitário, independente de raça, cor e classe social”.

O homenageado em sua fala disse ser um momento de muita emoção e único na sua vida. Ele afirmou que um dia, quando estava no Rio de Janeiro, foi até a sede do PDT e quando chegou lá uma pessoa perguntou se ele tinha ido para uma reunião e entregou um papel, um lápis e uma pergunta – O que é ser negro? E ele então escreveu: é romper a cerca todo dia. Depois quando retornou ao Ceará propôs criar o movimento negro no PDT.

Contou ainda que recebeu uma missão que o senador Abdias do Nascimento para falar sobre o Dragão do Mar. “Acabei fazendo um texto que foi colocado em um livro. Um dia cheguei na porta do cemitério São João Batista. O Dragão do Mar morreu no momento da Sedição de Juazeiro, que foi uma verdadeira guerra civil aqui no Ceará, quando o grupo do Padre Cicero tentou derrubar o presidente da Província, Franco Rabelo. Dragão do Mar acabou morrendo naquele dia e para fazer o sepultamento foi preciso vir uma escolta da Escola de Aprendizes Marinheiros. Só que não achamos o túmulo. Falei com o mordomo da Santa Casa e achei um livro de registros que dizia a causa da morte, nome, naturalidade, e o nome da esposa dele, que era sobrinha de João Brígido, o grande jornalista e abolicionista”, detalhou.

Disse que na época dessa busca, o presidente do Tribunal de Justiça do Ceará era Luiz Brígido, parente do João Brígido e que tinha um livro sobre a família Brígido. “Ele me enviou o livro, mas não constava o nome da então esposa de Dragão do Mar. Me disseram que Dragão do Mar não era herói naquela época e que deveria ter sido sepultado em vala comum. Eu me acomodei. Mas agora no mês de fevereiro o companheiro Francisco Júnior e o Diassiszinho, dois pesquisadores encontraram, por acaso, o túmulo de Dragão do Mar. E agora estamos colocando para a sociedade uma memória. Hoje, posso dizer que a cidade de Fortaleza tem um novo ponto turístico, não só para aumentar sua autoestima, mas porque o Dragão do Mar é o único cearense incluso no Panteão dos Heróis em Brasília. Espero o próximo prefeito resgate essa história e faça as devidas homenagens ao nosso Herói!”

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